30. O mais difícil num parto normal
Depois de esperar pelo dia, enfim chegou a hora. No corpo, aquela contração de meia em meia hora, hora de ir pro hospital. No pensamento, uma certeza de não saber se vai correr tudo bem mas é preciso ter convicção de que tudo vai dar certo. Ao ver o médico à sua frente, em busca de palavra de conforto, em qualquer um da familia, mais uma palavra de incentivo, porque não é sempre que estamos que estar preparados pra esse momento tão único da vida, pra esperar outra vida chegar. Agora a contração dobra, depois de tomar o soro na veia, pra maior dilatação, para bebê chegar, está na hora de sentir que toda a força que precisa dar não basta, e quanto mais se faz força mais vem a certeza de que não vai agüentar até o final, pensamentos mil vem em mente, como ir pra uma cezária ou será que o bebê não está com falta de ar se sufocando na saída da vagina, ou será que vai dar tudo certo e ao mesmo tempo fazendo tanta força pra trazer o bebê pra fora. E quando, no ápice, vem a certeza de que não vai agüentar mais, nasce. Nasce como se não precisasse de tanto esforço, e a sua canseira vai indo embora, mas a boca continua amarga e seca, e a barriga vazia e leve e seu corpo no descanso e o olhos sonolentos e a mente sem nada pra pensar. Dormir. Mas, o mais difícil num parto normal, é quando a grávida está pra entrar na sala de parto e recebida, na entrada, pelas parteiras-enfermeiras. Com toda contração, cada vez insuporável, pensamento longe, preocupação e esperando uma palavra de ânimo, é quando uma delas olha pra grávida e diz: - Você não é daquelas que faz escândalos não, neh?
Acaba-se o dia quando tem que começar!
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